O Patinho Feio

Era uma vez uma pata que vivia tranquila em sua fazenda sem nenhum patinho ainda. Em um belo dia de primavera, ela colocou-se a chocar seus ovos. Depois de muitas semanas de espera, um a um os ovos começaram a se quebrar, e dela saíram pequenos patinhos fofos e amarelinhos. Mas havia um ovo maior e mais estranho que demorou mais a se abrir.

Quando finalmente a casca se partiu, de dentro surgiu um filhote diferente: era maior que os outros, suas penas eram acinzentadas e seu jeito parecia desajeitado. Todos olharam surpresos, e os outros animais da fazenda logo começaram a cochichar e caçoar: “Que patinho esquisito! Como é feio comparado aos irmãos!”.

A pobre mãe tentou defendê-lo, dizendo que ele era apenas diferente, mas com o passar dos dias o pequeno filhote passou a sofrer zombarias constantes. Os irmãos o empurravam, os patos mais velhos riam dele, e até as galinhas zombavam de sua aparência. O patinho, triste e solitário, decidiu fugir. Assim, em uma madrugada fria, ele atravessou o cercado e saiu pela floresta.

O tempo foi passando, e ele caminhava sozinho, procurando um lugar para ser aceito. Tentou viver entre alguns gansos selvagens, mas caçadores apareceram e espantaram a todos. Escondeu-se em uma cabana, mas a mulher que morava lá o expulsou ao perceber que ele não botava ovos como esperava. Vagueou pelos campos, sempre com fome e medo, ouvindo apenas zombarias. Cada vez que se olhava no reflexo da água, achava-se ainda mais feio.

O verão passou, o outono chegou e, por fim, o inverno caiu sobre a região. O patinho sofreu com o frio intenso e quase não sobreviveu. Ficava escondido em cantos gelados, tremendo, até que, finalmente, a primavera voltou e a neve começou a derreter. Cansado, mas esperançoso, o patinho encontrou um lago amplo e claro.

Nadando ali estavam cisnes majestosos, com penas brancas e brilhantes, pescoços longos e elegantes. Ele os observava de longe, admirado, mas também com medo, pois pensava: “São tão lindos, nunca vão me aceitar”.

Mesmo assim, sentiu-se atraído e entrou devagar na água. Para sua surpresa, os cisnes se aproximaram sem hostilidade. Ele baixou a cabeça para não ver o desprezo deles, mas, ao olhar seu reflexo na água cristalina, ficou espantado: já não era mais um patinho cinzento e desengonçado. Crescera e se transformara em um cisne belo e majestoso, tão elegante quanto os outros.

Os cisnes o receberam com alegria, e ele finalmente sentiu que havia encontrado seu lugar. Os animais que antes zombavam dele, ao vê-lo voar pelo céu com o bando, ficaram admirados com sua beleza. O patinho feio, que tanto havia sofrido, descobriu que, na verdade, nunca fora um pato — era um cisne desde o início.

A partir daquele dia, ele viveu feliz entre os seus, orgulhoso de ser quem realmente era, e aprendeu que a aparência pode enganar, mas a verdadeira beleza está em reconhecer o próprio valor.

guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários