Era uma vez uma rainha que desejava ter uma filha tão branca como a neve, de lábios vermelhos como o sangue e cabelos negros como o ébano. Seu desejo se realizou, e nasceu uma menina linda chamada Branca de Neve. A mãe, no entanto, morreu pouco tempo depois, e o rei acabou se casando novamente. A nova rainha era bela, mas também orgulhosa e cruel.
Ela possuía um espelho mágico ao qual sempre perguntava: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?”. O espelho, sem falhar, respondia: “Senhora rainha, vós sois a mais bela de todas”.
Com o passar dos anos, Branca de Neve cresceu e se tornou uma jovem encantadora, tão bela que o espelho mudou sua resposta. Um dia, ao fazer sua pergunta, a rainha ouviu: “Senhora rainha, sois bela, mas Branca de Neve é muito mais bela do que vós”.
Consumida de inveja, a madrasta não suportou a ideia de não ser a mais bela e ordenou a um caçador que levasse a enteada até a floresta e acabasse com sua vida. O caçador, porém, teve pena da jovem e a deixou fugir, trazendo para a rainha o coração de um animal no lugar do dela.
Sozinha e assustada, Branca de Neve caminhou até encontrar uma pequena casa no meio da floresta. Dentro, tudo era minúsculo: as cadeiras, os pratos, as camas. Cansada, deitou-se em uma das caminhas e adormeceu. Quando os donos da casa — sete anões que trabalhavam em uma mina — chegaram, encontraram a jovem.
Ao saberem de sua história, decidiram acolhê-la e lhe pediram apenas uma coisa: “Fique conosco, mas tome cuidado. Não abra a porta para estranhos, pois sua madrasta pode vir atrás de você”.
A rainha, acreditando que o caçador havia cumprido sua ordem, voltou a perguntar ao espelho. Para sua surpresa, ele respondeu que Branca de Neve ainda vivia na floresta com os anões. Tomada pela fúria, a madrasta elaborou um plano. Disfarçou-se de uma velha vendedora e preparou uma maçã vermelha e brilhante, mas envenenada. Com ela nas mãos, partiu até a cabana dos anões.
Quando Branca de Neve abriu a janela, a velha lhe ofereceu a maçã. “Minha querida, veja como está bonita e suculenta. Experimente, é doce como mel”. A jovem, inocente, pegou a fruta e deu uma mordida. No mesmo instante, caiu no chão, como se estivesse morta. A madrasta, satisfeita, fugiu de volta ao castelo acreditando que enfim havia se livrado da enteada.
Os anões, ao voltarem para casa, encontraram Branca de Neve caída. Tentaram reanimá-la de todas as formas, mas nada funcionou. Tristes, decidiram não enterrá-la, pois sua beleza permanecia intacta. Construíram então um caixão de vidro e o colocaram em um lugar especial na floresta, onde pudessem visitá-la todos os dias.
O tempo passou, até que um príncipe que passeava pela região avistou o caixão de vidro e se encantou com a jovem adormecida. Pediu aos anões que lhe permitissem levá-la consigo, pois não suportava a ideia de se separar daquela visão tão bela. Os anões, comovidos, concordaram.
Quando os servos levantaram o caixão, ele se desequilibrou e uma pequena parte da maçã envenenada se desprendeu da garganta de Branca de Neve. Ela então abriu os olhos e respirou fundo, despertando como de um longo sono.
O príncipe, maravilhado, contou-lhe tudo o que havia acontecido e a pediu em casamento. Branca de Neve aceitou com alegria, e os dois partiram juntos. A madrasta, ao consultar o espelho novamente, descobriu que sua rival não apenas estava viva, mas também se tornara rainha ao lado do príncipe.
Enlouquecida de raiva, tentou comparecer ao casamento, mas foi castigada e nunca mais incomodou ninguém.
Assim, Branca de Neve e o príncipe viveram felizes para sempre, e os sete anões continuaram sendo grandes amigos, lembrando sempre da coragem e da bondade da jovem que conquistou seus corações.